
O Governo de Pernambuco exonerou, na última quarta-feira (26), Amisadai Andrade da Silva, que ocupava o cargo comissionado de superintendente de Operações da Arena de Pernambuco, vinculada à Secretaria de Turismo e Lazer. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado.
A exoneração ocorreu após o servidor ser citado em uma reportagem exibida pela TV Record, na terça-feira (25), que denunciou a existência de uma suposta estrutura organizada nas redes sociais para produzir e disseminar conteúdos negativos contra o candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB).
Na reportagem, Amisadai aparece relatando que teria participado de reuniões com integrantes do Governo do Estado. Segundo o conteúdo apresentado pela emissora, o grupo ao qual ele estaria ligado poderia funcionar como um meio de enfraquecer a candidatura de João Campos nas redes sociais.
A investigação jornalística também apontou possíveis relações entre páginas e perfis associados ao grupo e contratos de publicidade realizados pelo Governo de Pernambuco.
Em nota, a Secretaria de Comunicação de Pernambuco afirmou que a publicidade institucional do Estado é realizada exclusivamente por agências contratadas por meio de licitação. Segundo a pasta, cabe às empresas responsáveis elaborar os planos de mídia e selecionar os veículos utilizando critérios técnicos, como audiência, alcance e custo.
O Governo também informou que os valores destinados, em 2026, ao veículo mencionado na reportagem correspondem a aproximadamente 0,3% do limite permitido para investimentos em publicidade no período. A gestão afirma ainda que os recursos são distribuídos entre dezenas de veículos e que os pagamentos dependem da comprovação da veiculação das campanhas.
As informações sobre os pagamentos, segundo o governo, estão disponíveis no Portal da Transparência.
A governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, confirmou o desligamento de Amisadai e afirmou que medidas cabíveis serão adotadas. A governadora também contestou as acusações apresentadas na reportagem e defendeu uma campanha eleitoral baseada, segundo ela, na transparência e no debate de propostas.
Durante uma agenda no Recife, Raquel também criticou o PSB e afirmou que não pretende abrir mão de seus princípios políticos diante das acusações.
João Campos afirmou que já vinha denunciando a existência de uma estrutura de ataques contra ele, familiares e aliados. O candidato declarou que seus advogados deverão adotar medidas judiciais sobre o episódio.
Campos classificou a suposta estrutura como criminosa e afirmou que pretende responder aos ataques por meio de ações e propostas durante a campanha eleitoral.
O episódio amplia a tensão entre os dois principais grupos que disputam o Governo de Pernambuco nas eleições de 2026 e deve continuar repercutindo no cenário político estadual.